A surfaçagem de lentes pode se tornar o grande diferencial da sua ótica, garantindo mais qualidade e rapidez na entrega dos seus clientes.
Certamente, você já perdeu vendas em sua ótica porque não conseguiu entregar lentes personalizadas com agilidade e alto nível de precisão. Para se destacar neste mercado, extremamente competitivo, tornam-se necessários processos e produtos que realmente façam a diferença para os seus clientes.
É aí que entra a surfaçagem, uma solução capaz de posicionar a sua ótica como referência em qualidade e agilidade. Ao contrário do que muitos profissionais possam afirmar, a surfaçagem não é apenas uma etapa técnica: é, sim, uma oportunidade de aumentar o ticket médio, fidelizar clientes e diferenciar sua ótica no mercado.
Ao investir em uma surfaçagem própria, é possível entregar lentes personalizadas em horas, em vez de dias, ampliando assim a satisfação de seus clientes. Continue lendo este artigo e descubra como isso é possível.

Saiba o que é surfaçagem de lentes
Em termos técnicos, podemos afirmar que a surfaçagem é um processo industrial de usinagem e lixamento que tem como objetivo transformar blocos ópticos brutos em lentes de óculos personalizadas.
Sabemos que os donos de ótica têm como missão oferecer produtos que proporcionem conforto e qualidade aos seus clientes. Neste contexto, a surfaçagem visa realizar um acabamento preciso, garantindo que a lente se encaixe perfeitamente na armação. Sem esse processo, mesmo a melhor lente pode não funcionar bem ou não oferecer o conforto ideal ao cliente.
Em um artigo publicado na revista MDPI, Michal Wieczorowski afirma que o condicionamento de superfícies é crítico não apenas para a qualidade geométrica, mas também para propriedades tribológicas e de fadiga da peça final.
Ou seja, preparar corretamente a superfície das lentes é fundamental não só para que elas tenham o formato certo, mas também para que durem mais e funcionem melhor no dia a dia.
Saiba quais os principais materiais das lentes surfaçadas
Conhecer os tipos de materiais com os quais as lentes surfaçadas são desenvolvidas é essencial não apenas para você, dono de ótica, mas para toda a sua equipe de atendimento. Dessa forma, é possível indicar a lente correta para cada tipo de cliente.
Entre os principais materiais disponíveis no mercado, destacam-se as lentes de vidro, que proporcionam excelente nitidez óptica e alta resistência a riscos. Também merecem destaque as lentes de polímero orgânico, um material mais leve, com boa resistência a impactos moderados. Além disso, o polímero é fácil de surfaçar, garantindo um ótimo custo-benefício.
As lentes surfaçadas de policarbonato são extremamente resistentes a impactos, finas e leves, sendo ideais para óculos infantis ou esportivos. Já o Trivex também apresenta alta resistência a impactos, porém com qualidade óptica superior à do policarbonato. Compatível com a surfaçagem de graus elevados, o Trivex é considerado um material premium, indicado para armações grandes, esportivas ou para usuários que necessitam de resistência aliada ao conforto óptico.
Por fim, e não menos importante, destacam-se as lentes surfaçadas de alto índice (High Index), que permitem a produção de lentes mais finas e leves para graus elevados, sem aumentar significativamente a espessura.
Ou seja, o High Index se destaca pelo seu desempenho não apenas na correção visual, garantindo a prescrição adequada ao usuário, mas também na preservação da autoestima, uma vez que seu design mais fino evita distorções estéticas e desconforto visual, mantendo a aparência natural dos olhos.
Conheça como é o processo de surfaçagem das lentes

Agora que você já conhece os principais materiais utilizados na surfaçagem de lentes, torna-se necessário entender de perto como esse processo é realizado.
Afinal, conhecimento é ouro quando o assunto é desenvolver processos otimizados para garantir os melhores produtos aos seus clientes. Confira!
Cálculo
Segundo David A. Jalie, autor de Principles of Ophthalmic Lenses, o cálculo preciso das superfícies ópticas é a base para que uma lente entregue exatamente a performance visual para a qual foi projetada.
Ou seja, é na fase de cálculo que a prescrição do paciente é traduzida em parâmetros técnicos exatos. Um erro nesta fase pode gerar uma série de consequências que impactam diretamente a qualidade da lente e a experiência do seu cliente.
Durante o processo de cálculo, são definidos elementos como curvaturas da superfície, espessura central e periférica, índice de refração do material, diâmetro, posição óptica, além de compensações necessárias para garantir que o grau final corresponda exatamente à receita.
Adesivagem
É na fase de adesivagem que a lente é fixada temporariamente a um bloco, para que possa ser usinada com precisão nas etapas seguintes. O objetivo é garantir estabilidade, alinhamento e segurança durante o desbaste e o polimento da superfície óptica.
Para garantir a qualidade desta fase do processo, é essencial que a lente esteja corretamente centralizada e nivelada, respeitando o eixo, o grau e a posição óptica definidos na fase de cálculo.
Estudos e práticas de laboratórios indicam que uma falha na adesivagem está entre as principais causas de retrabalho na surfaçagem, justamente porque erros nessa etapa tendem a se refletir diretamente na precisão final da lente.
Blocagem
Durante o processo de surfaçagem, este é o momento em que a lente é fixada a um bloco de suporte, geralmente metálico ou plástico, para permitir que ela seja usinada com precisão nas etapas de desbaste e polimento.
Torna-se necessário garantir uma perfeita centralização, estabilidade mecânica e alinhamento óptico, respeitando todos os parâmetros definidos no cálculo, como eixo, grau e posição óptica.
Embora haja poucos estudos no Brasil, pesquisas internacionais avaliam o impacto da microvariação angular do bloco durante a blocagem, especialmente em lentes digitais e freeform.
Esses estudos demonstram que desvios inferiores a 0,1 grau na inclinação do bloco já são suficientes para gerar pequenas aberrações ópticas perceptíveis em lentes de alta complexidade, afetando a adaptação do usuário mais sensível.
Surfaçagem
É na fase de surfaçagem, ou lixamento, que máquinas cilíndricas com lixas de gramaturas variadas ajustam, de forma precisa, a curvatura e as bordas da lente.
Podemos afirmar que a fase de lixamento é uma das etapas mais críticas do processo produtivo das lentes oftálmicas, pois é nela que a geometria óptica deve ser refinada até atingir os parâmetros calculados.
Uma falha nessa fase do processo pode comprometer diretamente a qualidade visual da lente, gerando impactos técnicos, prejuízos financeiros e danos à reputação da ótica. Isso ocorre porque um cliente insatisfeito tende a compartilhar sua insatisfação com 8 a 15 pessoas, podendo alcançar ainda mais indivíduos quando utiliza redes sociais ou canais digitais.
Polimento
Após o lixamento, é natural que a lente assuma um aspecto opaco e fosco, sendo necessário realizar o polimento para que a lente obtenha uma aparência transparente e suave. O polimento também elimina micro-rugosidades que podem inviabilizar o uso óptico.
O processo de polimento deve ocorrer sem alterar a curvatura óptica já estabelecida. Isso só é possível por meio da utilização de polidoras com feltros, panos ou pads específicos, associados a compostos abrasivos extremamente finos, geralmente à base de óxido de cério ou materiais equivalentes.
Nesta fase do processo de surfaçagem, o erro mais comum ocorre quando o polimento é realizado de forma insuficiente ou quando o composto polidor não atua de maneira eficaz.

Desblocagem
Até o momento da desblocagem, a lente permanece fixada a um suporte metálico ou plástico por meio de ligas especiais, ceras ou sistemas adesivos.
Ou seja, na fase de desblocagem, a lente é separada do bloco ou suporte utilizado durante as etapas de lixamento e polimento.
Torna-se necessário ampliar os cuidados no momento da remoção, pois um erro no manuseio da lente pode provocar danos à peça, gerando marcas, riscos ou manchas e comprometendo o acabamento final.
Corte
Nesta fase do processo, a lente já surfaçada será recortada conforme o formato exato da armação escolhida pelo cliente. O corte deve respeitar o diâmetro, altura, largura, curva base e o tipo de encaixe da armação.
Um erro nesta fase pode comprometer tanto a adaptação da lente na armação quanto o conforto e a estética dos óculos. A palavra-chave para esta fase da surfaçagem é, com certeza, precisão.
O corte incorreto pode gerar uma lente maior ou menor que o necessário, dificultando ou até impossibilitando a montagem, além de causar tensões excessivas que podem levar à quebra da lente. Esse erro pode impactar diretamente a satisfação do seu cliente, pois interfere na qualidade do produto oferecido. Exatamente por isso, donos de óticas precisam ficar atentos também a essa fase do processo.
Conferência
Antes de realizar a entrega da lente ao cliente, é necessário que ela passe por um rigoroso processo de conferência. O objetivo é verificar se a produção das lentes oftálmicas atende integralmente às especificações técnicas e à prescrição óptica.
Podemos afirmar que este é, sem dúvida, um momento decisivo para assegurar a qualidade, a precisão e a confiabilidade do produto final.
A conferência observa aspectos relacionados ao grau esférico, cilíndrico, eixo, adição (no caso de multifocais), centragem e prismas, utilizando instrumentos apropriados, como lensômetros e sistemas digitais de medição.
Referências Bibliográficas
JALIE, David A. Principles of Ophthalmic Lenses. 4. ed. Oxford: Butterworth-Heinemann, 2008.
Obra de referência mundial em óptica oftálmica, utilizada como base para os conceitos de cálculo de superfícies ópticas, curvaturas, espessuras, índices de refração e desempenho visual das lentes.
WIECZOROWSKI, Michal. Surface Conditioning and Its Influence on Geometrical Accuracy and Functional Properties of Precision Components. Materials, MDPI, v. 12, n. 19, 2019.
Estudo científico que fundamenta a importância do condicionamento e acabamento de superfícies para qualidade geométrica, desempenho tribológico e durabilidade de componentes ópticos.
ISO 8980-1:2017. Ophthalmic optics — Uncut finished spectacle lenses — Part 1: Specifications for single-vision and multifocal lenses.
Norma internacional que estabelece requisitos técnicos e tolerâncias para lentes oftálmicas, amplamente utilizada como referência em processos industriais e controle de qualidade.
ISO 21987:2009. Ophthalmic optics — Mounted spectacle lenses.
Documento normativo que orienta critérios de montagem, centralização e conferência final das lentes, apoiando as etapas de corte e inspeção descritas no texto.
ESSILOR INTERNATIONAL. Ophthalmic Lens Materials and Surfacing Technology. Paris: Essilor Technical Documentation, 2020.
Material técnico institucional que descreve propriedades ópticas e mecânicas de materiais como CR-39, policarbonato, Trivex e High Index, além de processos de surfaçagem e polimento.

Engenheiro de software com mais de vinte anos de carreira e uma sólida experiência na indústria óptica, graças ao negócio da família. Movido pela paixão de desenvolver soluções de software impactantes, orgulho-me de ser um solucionador de problemas dedicado, buscando transformar desafios em oportunidades de inovação.
